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Desmitificando o conceito de gênero social

Certamente em algum momento, nos últimos anos, você tenha escutado falar sobre gênero. Essa palavra ganhou espaço nos noticiários, nas pautas envolvendo educação, política, impeachment da presidenta Dilma Rousseff, nas igrejas, nas redes sociais como Facebook, Twitter, Instagram e nos debates entre os candidatos à presidência. Mas afinal o que é gênero? Qual o motivo de tanta discussão sobre isso?

Não existe uma data certa do surgimento do conceito de gênero, mas pode-se afirmar que a palavra começou a ganhar visibilidade a partir da publicação do livro “Problemas de gênero feminismo e subversão da identidade” escrito pela filósofa norte-americana Judith Butler. Em sua obra, a autora faz diversos questionamentos aos papéis que são atribuídos a homens e a mulheres e, a partir disso, afirma que esses papéis são construções sociais. Nesse sentido, o conceito de gênero é compreendido como os papéis atribuídos em cada sociedade ao “ser homem” e ao “ser mulher”.

Cada sociedade devido às suas características culturais, regionais, religiosas e políticas determina um conjunto de fatores que ditam como os homens e as mulheres devem agir, vestir e demonstrar seu desejo sexual e afetivo. O grande problema que surge a partir dessas terminações pré-estabelecidas é que não existe uma única forma de “ser homem” ou “ser mulher” que é determinado pelo nascimento com um órgão genital. Existem diversas formas e por esse motivo denominamos de masculinidades e feminilidades. Veja bem! É provável que em algum momento da sua vida você já ouviu alguém dizer “homem não chora!”, “menino tem que brincar de carrinho e menina de boneca”, “rosa não é cor de menino”, “menina não pode usar esse tipo de roupa”, todas essas atribuições criam um padrão hegemônico de masculinidade e feminidade.

As discussões sobre gênero surgem justamente para possibilitar que as pessoas vivam suas diferentes masculinidades, feminilidades e identidades de gênero. Antes disso, é importante compreender o conceito de orientação sexual que é associado de maneira equivocada à identidade de gênero.

Orientação sexual e/ou afetiva é a forma que pessoa demonstra desejo sexual e afetivo por outra. Sendo as mais conhecidas heterossexual (pessoa que sente atração por um gênero oposto do seu), homossexual (pessoa que sente atração por um pessoa do mesmo gênero que seu), bissexual (pessoa que sente atração por ambos os gêneros) e pansexual (pessoa que sente atração independente do gênero).

Já a identidade de gênero é a forma como o sujeito se reconhece enquanto homem, mulher ou nenhum dos dois. Esse conceito está ligado diretamente a como a pessoa se enxerga e não tem ligação direta com o sexo biológico (entendemos por nascimento com órgão genital masculino, feminino ou os dois no caso de pessoas intersexual). Conforme a imagem que acompanha esse textos.

E qual a necessidade de compreendermos isso?

A sociedade brasileira vem passando por diversas modificações nos últimos anos, e precisamos nos atentar a isso, pois o que debatemos aqui tem impacto direto na vida de outras pessoas.

Eximir-se de debater esses temas é negar o princípio constitucional de que somos todos iguais e não se pode fazer discriminação por sexo, raça, religião, cor e quaisquer forma de discriminação. Isso em virtude de que as diversas formas de ser e existir estão presentes nas escolas, nos ambientes de trabalho, nas ruas, nos restaurantes e bares, e precisamos ampliar o conhecimento como única forma de parar o preconceito. Ainda é oportuno mencionar que o Brasil é um dos países que mais mata pessoas LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais) no mundo. Segundo o Grupo Gay da Bahia, uma entidade que faz pesquisas relacionadas à violência contra a população LGBT no Brasil, a cada 16 horas um LGBT+ é morto no país pelo simples fato de ser quem é.

Além disso, em alguns casos, pessoas que não pertencem a esse grupo acabam sofrendo violências por serem confundidas. Em São Paulo, mãe e filha foram agredidas na rua por serem confundidas com um casal de lésbicas. Um casal gay foi agredido por andar de mãos dadas na rua. Leia mais em:

Leia mais em:

CARVALHO, Jaqueline Carvalho, J.; DA SILVA FERREIRA, Ewerton da Silva; LIMA, Eduardo. Bullying no ambiente escolar: relações de gênero em pauta. Missões: Revista de Ciências Humanas e Sociais, v. 4, n. 4, 4 dez. 2019.Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/Missoes/article/view/2842

QUADRADO, Jaqueline Carvalho; FERREIRA, Ewerton da Silva. FALA SÉRIO: VIOLÊNCIA DE GÊNERO, NÃO!. Jaguarão: CLAEC, 2018. Disponível em:https://claec.org/editora/wp-content/uploads/sites/3/2019/06/Cartilha-Fala-S%C3%A9rio-Viol%C3%AAncia-de-Genero-Unipampa.pdf

 

Ewerton da Silva Ferreira, mestrando em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Pampa. E-mail: [email protected].