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Às compras com Carrinho Cego

Como uma pessoa com deficiência visual, ou outro tipo de deficiência, realiza suas atividades mais simples, como ir a um mercado? Aliffer Matzenbacher e Gabriel Vicente de Oliveira, alunos do SENAC de Itaqui/RS, se puseram essa pergunta e lançaram o Carrinho Cego, em inglês: Blind Cart. Como funciona esse Carrinho?

Nós colocamos num carrinho de mercado uma antena e 4 (quatro) sensores ultrassônicos. Antena e sensores são ligados por cabos a uma placa de computador, uma placa de programação chamada Arduino, que funcionará como o cérebro do Carrinho. Com os sensores, o carrinho ganha olhos porque eles lançam ondas ultrassônicas que se espalham no espaço, batem em todos os objetos nele contidos num ângulo de 300 graus e retornam aos sensores, gerando uma espécie de “campo de visão” (ver Esquema). Esse equipamento possibilita com o carrinho “veja” e perceba tudo o que está no espaço ao redor, facilitando assim a locomoção da pessoa que o empurra. É assim que o carrinho se localiza no espaço e guia essa pessoa.

Localizado no espaço, o Carrinho precisa identificar os produtos nele disponíveis e onde está no espaço. Ele faz isso com sua antena. A antena, com frequência RFID, também ligada à Arduino (ver Figura 1), detecta e lê as etiquetas que estão nos produtos comercializados pelo mercado. Assim que o Carrinho Cego passa, ele lê as características básicas e o preço do produto detectado pela antena; bem como em que sessão do mercado a pessoa está e por que prateleira ou estante ela está passando. Essa leitura é vocalizada, tal como faz um rádio. Essa voz é, então, escutada via fones de ouvido pela pessoa que empurra o carrinho. Desse modo, o Carrinho Cego vê e ouve o que está disposto no mercado para a pessoa, facilitando assim suas compras à medida que anda pelo estabelecimento.

Isso tudo é possível porque o Carrinho Cego tem uma espécie de memória, a NodeMCU. Trata-se de um aplicativo, um Banco de Dados que armazena e processa todos os dados coletados pelos sensores do Carrinho, cruzando-os com os dados disponíveis na internet. Essa tecnologia é conhecida como Internet das Coisas. Os dados que estão na internet são exatamente as informações que o Carrinho lê nas etiquetas dos produtos. O mercado deve então alimentar bem o Banco de Dados.

Aliffer e eu, antes de tudo, entrevistamos deficientes visuais de Itaqui e detectamos haver uma enorme falta de estrutura a deficientes na cidade. Ao darmos continuidade à pesquisa, descobrimos que o público a ser atendido pelo Carrinho é enorme. Atualmente, o projeto está sob os auspícios do SENA/C Itaqui.

O projeto Blindo Cart foi desenvolvido no 1º (primeiro) semestre de 2019. Concebido, no início, como um simples projeto voltado ao comércio, numa das aulas do Senac, recebeu a Primeiro Prêmio no X SENAC 2019, grande feira de tecnologia do Rio Grande do Sul. O projeto gerou demandas tecnológicas que resultaram parcerias com o SESI Paraná e com ITAG Etiquetas, a maior empresa de etiquetas de rádio frequência RFID do Brasil.

Em 2019, após o X SENAC o trabalho foi apresentado na UNIPAMPA Itaqui pelos alunos do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, Gabriel Vicente de Oliveira e Márcia Brites, sob a supervisão do professor Paulo Silveira, dessa Universidade. Desde então, o projeto tem cada vez ganhado visibilidade e tem aberto novas perspectivas à acessibilidade das pessoas com deficiência visual.

Gabriel Vicente de Oliveira é discente da Universidade Federal do Pampa em Bacharelado Interdisciplinar Ciência e Tecnologia, no campus Itaqui/RS. Trabalha no ramo de Cooperativas, busca a união da tecnologia com a gestão de pessoas. Defendeu o projeto Blind Cart em Porto Alegre/RS, no dia 26 de setembro de 2019, para 5 (cinco) avaliadores, sob a orientação de Loreni Ceretta Bernardes, e o auxílio de Aliffer Matzenbacher.

Texto revisado e editado por Walker Douglas Pincerati.