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Produção de Álcool Gel 70% na UNIPAMPA-Itaqui/RS: procedimentos para a produção

Este vídeo demonstra de forma rápida os principais passos da metodologia experimental utilizada para a produção de álcool gel 70% (ou 70° INPM), que vem sendo realizada na UNIPAMPA-Itaqui. O intuito desta produção é distribuir o álcool gel para o serviço público de Itaqui, como uma ação no combate a pandemia da Covid-19. Embora o vídeo demonstre os principais passos para esta produção, o tipo de polímero utilizado, as quantidades e concentrações de cada reagente, bem como o tempo de espera entre as etapas foram omitidos propositalmente. Isso foi feito para evitar que a população leiga assista ao vídeo e tente reproduzir a metodologia em casa.

 

Pode parecer óbvio que esse tipo de procedimento não possa ser realizado em casa. Entretanto, com o aumento no número de casos de pessoas infectadas pelo vírus Sars-CoV-2, não foram poucas as “receitas” e vídeos que surgiram na internet ensinando a população a fazer álcool gel “caseiro.” Alguns procedimentos utilizam gelatina sem sabor ou gel de cabelos com espessante. Contudo, dependendo do que se utiliza como espessante em vez de o álcool eliminar o vírus pode gerar um efeito de potencialização e/ou irritação da pele. Além disso, muitas receitas utilizam aquecimento, o que, por sua vez, aumenta o risco de o produto inflamável entrar em combustão e provocar incêndios.

 

Como previamente mencionado na reportagem Álcool em gel 70% contra o novo Coronavírus, publicada neste jornal, o álcool 70° INPM possui a concentração ótima para o efeito antisséptico. O álcool comercializado em mercados e farmácias possui a concentração de 46º INPM, i.e., mais diluído que o álcool 70° INPM. Portanto, as receitas caseiras de álcool gel produzido a partir do álcool 46° INPM não serão eficientes para assepsia e higiene das mãos contra o Sars-CoV-2, uma vez que não atingem concentração adequada (o mesmo serve para a Vodka e bebidas alcoólicas similares). O álcool combustível também não pode ser utilizado, já que pode conter contaminações (resquícios de gasolina, diesel, hidrocarbonetos, metais pesados, etc.) provenientes da produção, transporte e/ou armazenamento. Os contaminantes podem alterar o pH do produto final.

 

Por último, é relevante enfatizar que o álcool gel vendido em farmácias e/ou produzidos por profissionais capacitados – utilizando substâncias que garantem a estabilidade e concentração adequada para matar o vírus – são os únicos que devem ser utilizados no combate a Covid-19 neste momento.

     

Caroline R. Bender é professora adjunta da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Itaqui-RS. Possui graduação em Química Licenciatura (2011/2) e Química Industrial (2018/2) pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Possui mestrado em Química, na área de concentração Química Orgânica pela mesma Universidade, onde trabalhou no estudo do comportamento de agregação de diferentes líquidos iônicos. Realizou doutorado em Química pela UFSM (2014-2018). E-mail: [email protected]